9-, 2007 - 03: 1
Responsabilidade social: um novo modelo empresarial
RESPONSABILIDADE SOCIAL: UM NOVO MODELO EMPRESARIAL
Responsabilidade
social: um novo modelo empresarial
Estamos vivendo um momento
de grandes mudanças. O que dava certo antes já não funciona mais. O mercado já
não cresce como crescia antes. As empresas estão obrigadas a mudar. Todas
estas mudanças acabam gerando importantes reestruturações, novas formas de
trabalho, novas competências e uma nova organização das pessoas. Muitas delas
passam, inclusive, a não ter mais lugar na nova estrutura. É o desemprego
estrutural.
Observando-se o que já vem
sendo feito na Europa há décadas podemos efetivamente definir algumas
alternativas que deram bons resultados no encaminhamento de soluções para o
problema. É o desenvolvimento de um novo modelo de gestão de negócios. Trata-se
da Responsabilidade Social, ou seja, da preocupação com o bem-estar
coletivo, da comunidade, apoiado na cultura e nos preceitos das sociedades
européias. Atuando sob esta nova perspectiva, as empresas passam a desenvolver
ações no sentido de associar seus produtos e suas marcas em ações
de cidadania, preservação do meio ambiente, apoio aos demitidos, e outras
iniciativas sociais.
Não
é só isso. No mercado de trabalho, o conceito de responsabilidade social também
começa a fomentar a criação de novas vagas em áreas, até então, pouco
exploradas como consultorias ambientais, ONGs, projetos de cidadania, reciclagem
de materiais, entre outros. Estes setores, que antes eram muito pouco
valorizados, passam a ter um papel relevante neste novo cenário, gerando novas
oportunidades de trabalho e renda.
A expansão deste novo
modelo social se torna cada vez mais clara, até mesmo no universo do marketing
e da propaganda. No período pós-guerra, por exemplo, o modelo
prevalecente era o norte-americano, o "american-way-of-life", baseado
na sociedade de consumo. Qualidade de vida estava diretamente associada a
aquisição de bens, ao status proporcionado por determinados produtos. Foi
nesta época que se desenvolveram os conceitos modernos da publicidade e do
marketing. O importante era agregar à marca o posicionamento e a
imagem de luxo, vitória e sucesso. Era a época do TER.
Após esta fase, como o
mercado já não crescia mais, para vender tinha-se que deslocar um concorrente.
A empresa era obrigada a disputar cada cliente, cada venda. Passou a ser a época
da busca do menor custo, da maior rentabilidade. Definiu-se um novo modelo,
baseado em conceitos orientais, da qualidade total, em que se buscava evitar os
desperdícios, os erros. A conquista de uma certificação ISO 9000 passou a ser
um diferencial de mercado. A propaganda das grandes corporações passa a ser
focada na qualidade, na credibilidade, na confiança. A
sociedade deixa de aceitar a máxima "errar
é humano" e assume que "errar
é errado".
Em paralelo, pouco a pouco,
um novo conceito foi sendo desenvolvido, o da "Sociedade do
Conhecimento", na qual os produtos são modernizados a tal ponto pela inovação
e pela eletrônica que passa a ser mais importante a informação e o
conhecimento do que o capital financeiro. Surgem as grandes corporações constituídas
com muito pouco capital, as famosas empresas de fundo de quintal como Microsoft,
HP, Cisco, etc. E como são as pessoas que detêm o conhecimento, a regra é o
desenvolvimento pessoal. Trabalha-se seguindo a filosofia oriental de
melhoria contínua. É a época do SER.
No cenário atual, o
conceito de responsabilidade social começa a preocupar as organizações.
Estamos iniciando a era do "pós-conhecimento", na era da
"Sabedoria", onde é mais importante o conceito de comunidade, de
consumo responsável. Há que se conseguir o equilíbrio social na comunidade em
que se vive. Um exemplo disto é o crescimento das certificações ISO 14001.
Mas não é só em relação ao meio ambiente que se tem avançado. O fenômeno
mundial do desemprego também começa a ser encarado sob uma nova percepção.
Mesmo no Brasil, grandes
empresas como Volkswagen, Kaiser, BrasilTelecom, Embratel, Avon, entre outras, têm
apostado no conceito europeu de "demissão responsável", ou seja, na
oferta de um serviço profissional de apoio à recolocação para os funcionários
dispensados em todos os níveis, baseado na legislação francesa do Plano
Social. A iniciativa, tem registrado altos índices de recolocação em condição
de trabalho e renda dos demitidos, colaborando na luta contra o desemprego. Os
programas são vistos com extrema simpatia e tem sido premiados por inúmeros
organismos e instituições de grande credibilidade, conseguindo muita divulgação
e apoio para a empresa.
Seguindo estes reflexos, a
propaganda e, principalmente, as ações de relações públicas, já começam a
divulgar na mídia o conceito de responsabilidade social das empresas, criando
campanhas que ressaltam a conquista de prêmios sociais, valorização do
meio ambiente, doação de parte do lucro para entidades beneficentes,
projetos para melhoria de qualidade de vida, etc. Seguramente, as empresas
e as marcas que estiverem associadas a estes conceitos serão mais simpáticas
aos olhos do consumidor. É a época do FAZER.
Será que esta postura
social, simpática, vai corresponder a uma expansão de vendas? Isto ainda não
se pode afirmar com precisão, mas, se eu pudesse e gostasse de apostar, diria
que este será o melhor caminho para se estabelecer uma relação de fidelidade
com os consumidores.
Gilberto Guimarães é
diretor da consultoria francesa BPI do Brasil, presidente do Instituto Amigos do
Emprego e professor da FGV.
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